terça-feira, 26 de novembro de 2019

Vassouras












As mulheres varrem, varrem e varrem
Durante todas as suas vidas para cumprirem uma promessa as suas mães
Onde escondem tanta sujeira?
Onde acomodam o pó que não vejo?
E para onde carregam as folhas secas que o cimento não sepulta?
Outras mulheres varrem, varrem e varrem para arrumar as salas para as visitas
Apenas as vassouras falam nesse ritual macabro e cínico.
Apenas suas falas decretam a lei e o caminho….
Nessa varredura um pouco de mim se vai com os farelos de pão
Que as formigas teimam em colher.
O resto de mim, que as sobras do dia colheram ao vento, se recolhe a sua própria dor
Algumas mulheres varrem e varrem e, muitas vezes,
Trocam o ouro do dia, a pequena alegria dessas horas poucas que se vão,
pelo futuro incerto de suas certezas.
As mulheres poderiam até sorrir pelo café ainda quente de nossas vidas
Pelas flores e doces que ainda traria,
mas já fui sentenciado
Pelo tempo que ainda não veio
E pelas promessas que um coração alheio a nós dois
Sussurra docemente em seus ouvidos.