Querendo ou não eu danço quando eles
sacodem....
Querendo ou não eu esmoreço, tremo e choropor todo sentimento esparso,por toda a grande perdapor toda expressão dita ou pretendidanos tambores das vozes do grupo.Espasmo e adoeço pela amputação que os
dilacerae pela derradeira hora que lhes bate a porta
sem aviso.Todos os seus dramas são meus,Todas as suas mortes são peças do meu
armárioe minha voz se confunde com as suasnos tambores das vozes do grupo.Porque seu alarido ecoa além do meu sanguee toca minha alma com a mãos de quem pedee clama por um sentido e um caminho.Tenho o testemunho do Céu e toda conversase faz uma prece para aqueles que conhecem a
Leie não podem deixar de ouvir e sentiros tambores das vozes do grupo.Quando então me aquietoe me escondo num quarto escuro,onde acendo uma grande fogueira,eu os exorcizona tentativa vã de olhar meu próprio nariz.Assim morrerei com um bravo.Mentira, mentira, mentira, mentira
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
O Grupo
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Welcome ranzinza
Imóvel silhueta de anjo.
Tua manta de lã.
Nosso canto de rua.
Maquiagem mal-feita no rosto,
e chicle de hortelã.
Ovos de ouro,
aves de asas podadas
e joelhos juntos na hora marcada de volta.
Somos argamassa de toda gente
mistura desejada e indesejada...
Madrugar de sonho, alvorecer de pesadelo.
Sol e toda escuridão no mesmo caminho.
O mundo de todas as cores.
O mundo tem todas as cores
e algumas nos cabem.
O mundo de todas as cores
recebe muitas vezes como um guarda noturno;
um abandono indesejado,
um sorriso cinza,
nenhuma promessa para o futuro,
um falso aconchego
e um welcome ranzinza.
O sorriso de Grace Kelly
Quem foi que trouxe a carranca dos barcos para o centro da
aldeia
e engatilhou um arma na minha cuca?
Quem foi que expulsou os palhaços da cidade?
Nao dominamos a arte de fazer rir e estamos tão sós nessa interminável noite de circo.
Quem foi que ergueu um monumento a um suicida
e derrubou
nossa figueira e nosso coração de canivete?
Quem de nós quer fazer um exótico espetáculo
até que se desça o pano de fundo do palco do mundo,
onde feios e atormentados atores
sobrevivem pintando nos rostos
o sorriso de Grace Kelly?
Pequenas que choram
Não abandona teus anjos
só porque te espreitam
e aparentemente atrasam teu caminho.
Não abandona teus anjos
porque são eles como pequenos faróis que guiam tuas decisões
e clareiam tua indisfarçável incapacidade de decidir.
São os espelhos pelo qual tu te vê.
Ainda erguido, ainda que sobrepujado, mas ainda vivo.
Não te chateia pelo tempo que te tomam.
É tempo de crédito, é tempo de esperança, vida e água viva
É colheita com correção aos olhos do Céu, fruto que não colhe por aqui.
Os pequenos que choram abençoam quem os recolhe da chuva.
Os pequenos que acordam no meio da noite
adormecem seus pais com o cansaço da missão cumprida.
Não importa o que o futuro poderá desenhar
teus braços estendidos fizeram a diferença,
ainda que mal se perceba.
Não abandona teus anjos
Só porque eles te roubam o tempo.
As horas que nos tomam são terra semeada.
Os minutos que se foram em abraços e beijos
são sementes além desses dias,
além dessa atordada vida.
terça-feira, 26 de abril de 2011
Outro Calendário
Tens outro signo no calendário.
Outro tempo te inquieta e te acomoda.
Ainda assim a casualidade de tantos nomes e gostos
forjou nosso destino e misturou nossos dias.
Coincidência ou não
estávamos na mesma casa quando ele passou.
Quase com a mesma dor,
a mesma saudade
do que perdemos pela vida.
Eu advogo o que nunca tive.
Você defende o direito de ser feliz,
de namorar sob o teto da sala
de tirar os sapatos na chuva
e de amar como quem acredita em romances e em livros de cabeceira.
Desconheço a altura do próximo ponto de parada.
E não sei até quando tamanha diferença
se manterá despercebida.
Nosso caso, sim, não tem nome,
nem forma definida,
nem nomenclatura.
È amor sem dicionário.
Amor cuja poesia desses dias
poderá reinventar.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Prisioneiro
Na sua alcova ela é quase prisioneira.
E só eu dou-lhe as chaves.
Liberta, ela dança ao ruído da chuva,
Suja as canelas com lama, ri, cansa e dorme
e só eu cubro seu corpo com frio.
Ao descortinar do dia,
ela corre pelas picadas que eu desconheço,
caminha estalando as folhas secas,
bebe água de poço,
mancha os lábios com musgo,
brinca com os caracóis
e na volta diz bobagens, me beija
me arranha as costas fazendo meiguices com a voz.
Puxa meus cabelos... Desavergonhada!!
Frente ao retrato de minha santa mãe,
frente a brasa do fogareiro.
Decerto ela é minha, aqui tudo é meu.
É tudo que tenho, Aqui sou senhor.
Saudade de um pai
Quando um pai se vai...
Ah, como me desperta
o que quis e não fiz em tempo.
A alegria que não trouxe
pagaria, agora, para carregá-la pra ele.
Quantos anos te perdi?
Quantos abraços fingi te dar?
Quantos anos ficarei a lembrar do que poderia ter sido.
Queria eu ir com ele
sob a sombra de quem fez
o que nós mal pensamos em fazer
a cada prece de tua mão calejada
a cada prece do pão e doce que nos trazia da rua.
Quando um pai se vai
não sobram apenas uma cama, uma cadeira, um lugar.
Sobra a dolorida sensação
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