terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ausência


Posso somar todas as manhãs
que  te vejo acordar
e ainda não te reconhecer.
Eu faço bolhas de sabão pelo ar
desdenhando minha condição de objeto
e teus olhos malcriados
que adormecem quando desperto
e riem quando os meus lacrimejam.

Onde foste na minha ausência
e por que me deixas com quem não és na varanda?
Onde se escondeu e
como te achar se não desejas ser procurada?

Mulher... por quê choras quando saio
se no tempo em que venho lamentas?
Mulher... por quê se amaldiçoa quando estou
e ri do presente que te trago?

A voz de tantas se cala com coisas tão simples.
O pão que te sustenta, a sala limpa, a cama posta.
Aqui a comida não tem cheiro
Não vinga mais saudade no coração.
Traição é pouco, humildemente digo.
Antes a dor de tê-la saudosamente morta
A esperança quase sem vida
De esperá-la pra o jantar. 
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Dúvida do Guri


Cavalgava no quintal montado em bambus velhos.
Era eu um vaqueiro e meus cavalos não precisavam ser encilhados.
Carregava um colt, vestia um casaco velho
e a dançarina do salão era minha namorada.
Meu cavalo era negro, meio arisco
diante os olhos da vizinha curiosa.
A casa era grande e tinha janelas pra todos os gostos.
Poderia ser cidade do velho oeste ou mina abandonada;
lugar de duelo...
E este era sempre ao entardecer.
Assim podíamos ver as faíscas das espoletas.
E como na televisão se morria.
Só não compreendo, até hoje, os seus filmes  
-Ah o tempo brinca com a gente.. .-
Lá pensamentos como os meus não germinam.
Lá nada que passou desassossega o presente.
Nem mexe na serenidade sob os sombreiros dos cowboys sujos
as margens dos rios secos do Arizona 
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Incorporação


Não te trago troféus, nem feitos dos teus antigos.
Caminho com memória que seja
simples esboço de passagem
entre a férrea idéia de tempo
e minha feitura de cor vida.

Não te trago recordações de vitórias antigas,
nem suscito tua nostálgica euforia.
Caminho com idade que seja movimento e movimento
e minha imagem não se guarda,
mas se reproduz nos duros músculos de tua face.

Não serei assim como o estrangeiro
que anunciando a vinda do inimigo te trairá.
Nem terás o corpo esquartejado,
nem a cabeça pendurada sobre o poste
como exemplo aos aduladores da sorte.

Minha ousadia somente te fará ver
que amando o incomum te sentencias a ser só,
um eremita de tuas verdadeiras glorias.

Assim te invoco, te incorporo
como um anjo sem asas, sem grandes recomendações,
por não traçar tua vida como manda teu figurino
por não exercitar teus caninos;
vendo, agora, que a luz dos teus prodígios
é maior que as chamas desse castiçal que carregas
e que mela teus ossos
na adoração a tudo que já morreu.  
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Espera


Olho para as paredes e para as ruas e te procuro
sem nunca ter te encontrado...
Mas você ainda sorri na penumbra
em parte de um sonho ou em pedaços de uma lembrança quase esquecida.
Te clamo,
mas nada sei do teu último paradeiro
ou a cor dos teus sapatos ou dos teus cabelos...
Onde estavas quando eu desenhava luas no caderno?
Onde habitavas quando te desejava em prece, sozinho, e molhado de chuva?
Peça de mármore, pedra polida, ouro de meu jardim...
Assim te imagino, assim te espero,
como um vigia, que insone,
agoniza numa longa e interminável noite sem ti.
Onde deixou meu coração?
Onde me abrirão a porta?
Onde haverá festa e jantar sobre a mesa?
As horas que passam são como doces que não saboreio...
O tempo que voa é como cavalos que não encilho..
O tempo é como um trem que não pego e nem vejo passar.
O tempo é como um trem que ouço e nunca vejo chegar
na longa espera por ti

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Boato


O boato me atordoa
sob o doce manto da credulidade e da ruim expectativa
não existe loucura, nem ousadia, que faça desacreditar
no que já foi dito e escrito..
no oficio de cada dia, de cada folha impressa,
e perante o juízo dessa lei.
Somos mesmo apenas criaturas de tv,
amantes das receitas de bolo,
e das ondas do rádio
que nos entristecem a cada manhã....
O silêncio que impera ocasionalmente
também me incomoda
como se assim fosse um grito de dor em cada ouvido....
não sei mais ficar sem suas histórias
sem a versão derradeira e maquiada da morte do rei...
Não há mais musgos, nem flores sobre tua casa
nem tua cama foi refeita antes de sair...
Só acredito no que ouço e leio
e sei que minto para meus próprios olhos.
Assim, a receita dessas horas ainda mistura
o açúcar da vizinha,
guarnecida com a farinha alva
e o boato que transformo
em guia de cego
e entrelinhas para acomodar qualquer desespero.

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Ela


Nem todo o tempo traduz tua grandeza...
Nem todo o anonimato de tua luta te fará menor
pois carregas para sempre os meninos
e suas cantigas
e suas danças
e suas armas
como quem, na verdade, conduz
sem as honras do passado
sem os dividendos do presente
mas com as sobras de um enorme futuro
que tem  tua cara e teu jeito
e que caminha beijando as flores  que nós não vemos
nem os anjos que despercebemos
nem a mãe, a mulher, irmã e filha
para as quais adormecemos
nesta noite
que ainda é nossa...
amanhã
será somente teu.... o dia....  

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Luiza


O coração do homem,
que já foi de criança,
a cada balada
guarda um segredo.
Um desejo que se perdeu,
riso de palhaço,
roupa de herói,
suspiro e chocolate.
O coração da criança
é como um tesouro;
ama sem olhar a marca dos sapatos
e não torce o nariz pelas costas,
como quem rouba toda a festa e toda a alegria.
Se Deus inventa pequenos
é porque, certamente, alguma coisa boa
ansiosamente nos aguada
se aqui não for um filho,
no Céu,.
um anjinho com tua cara.... 

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O trem


Nada me aquieta,
não me fartam
o belo destino e a cama de qualquer cidade a meu dispor.
Nem o melhor lugar que puder encontrar,
nem todo o carinho e atenção
que receba de uma cortesã
ou se uma virgem ou de sua mãe esperançosa..
Nada ou pouco me comovem por todo o tempo.
Minha inquietude
caminha com as estrelas que não vejo e
há sempre pó sobre os meus sapatos...
Nada, então, me basta
e nenhum sonho de amor
adia minha viagem ou impede que eu suba no trem.
Ainda que tudo esteja presente
estou acompanhadamente só..
sobre os trilhos de um caminho
que não sei onde vai dar...
Se deixo saudade, carrego mundanas expectativas...
Se deixo tristeza, apenas gozo antes que a noite desça
Se deixo rebentos, carrego apenas seus nomes
e todas as histórias que teimei em não lhes contar  
Desse jeito, os sonhos e os mais íntimos desejos
sobreviverão aos homens e irão morar nos filhos.
Vá, filho...
ser o que não fui
e vomitar os versos que mal balbuciei nos ouvidos de tuas mães..
Vá, filho...cumprir o que não prometi,   
e apagar meus rastros e toda a minha indiferença....

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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sem sentido


Não há sentido...
nem memorável ou grande prazer...
a vida é estéril e rude
para nós que ainda não temos nome
ou que não definimos os desejos... nem seus objetos...
o sentido tem cor
e cheiro que não pertencem a esse mundo...
o sentido é não estar onde todos habitam ...
o sentido é, inexplicavelmente, uma coisa morta...
estar aqui é penar com as honras de quem goza...
Gozar é um verbo insincero..
minto quando finjo...finjo quando minto...
Meu medo é não estar no grupo dos sinceros
e minha dor e meu poder e não poder partilhar
da unidade da alma
que diabolicamente produzo e invejo....  

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Caminho


Caminho... como quem quisera ter sido o que ainda é.
Minha dor é só imaginar e quase não crer
nas certezas que a criança que fui guardava como moeda rara...
Minha dor é queimar meus dias como lenha velha
e ser o único lenhador do meu jardim....
Meu cavalo não tem olhos, nem cor... e se
perde no cinza da paisagem...
Em quase tudo repito esse eco...
Minha voz entoa, assim, repetida ansiedade
que me transforma em imitação do que não sou.....
Não sei ao certo...
até onde irão meus dias e se há muito crédito além daqui....
ainda assim caminho
como olhos e mãos que não acredito serem os meus
e pés de quem procura na chuva...
aquilo que esqueceu na própria casa...
Se não sou eu ainda ...
quem te acorda como um detento....
saudoso daquilo que tem, mas morto antes da verdadeira hora,
antes de qualquer despedida...
antes do último beijo de Natal...?

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Olhos negros




Com seus olhos negros,
o universo nos olha com tamanha indiferença
que iguala vida e morte em valor...
Sobra-me dessa imensa orfandade
a ilusão de que cada beijo que te dou
deixo de estar só e abandonado...
Sobram-me dessa imensa solidão
mãos hábeis e filhos que correm pela sala,
como se fossem os donos da casa...
Sobra-me a saudade de algo não vivido
e as lembranças do que não pude fazer...
Sobra-me um Deus poderosíssimo, um Deus temperamental
que inventou um domingo de cor
e apenas um sábado festivo...
Sobram-me eu e tu
que num ato mágico
escolhemos os nomes das crianças
parindo,
quem sabe,
a nossa loucura mais sábia....

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domingo, 10 de outubro de 2010

Aurora


Contempla o dízimo dessa aurora...
ela não é somente tua...
nem são teus braços que erguem o cenário...
nem és o maestro dessa trajetória...
mas parece ser só tu,
contemplador,
que acende esse enorme fósforo horizontal..

contempla esse porre,
essa ressaca,
sublime esperança laranja
sobre a pira indecente dessas lâmpadas acesas.

contempla maldito...
contumaz aventureiro dessas paragens
a agonia dessa noite não consumida
é o fim passageiro da tua agonia.

a aurora te acorda,
tu que renasce como um feto encardido.
A aurora tempera e dilui
a cor dessas calças sujas
e o desamor aos outros
que te vêem e são como tu.  

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O geômetra


Um geômetra,
desses matemáticos, quase arquitetos,
quase artistas, desses aparentes ateus éticos,
disse poder prever o destino da gente com sua arte...
falando como doutor,
medindo atos e as palavras
como se em tudo tivesse uma fórmula encoberta,
disse ter a melhor filosofia para levar os homens ao paraíso e apontou a poesia como caminho.
Medindo os versos como seu os poetas formassem sobre o papel círculos e losângulos secretos, falou em cura da dor confinando neruda, drummond e borges a um triângulo equilátero perfeito,
 a uma triologia arquitetônica perfeita,
capaz de decifrar o mistério do nascimento das crianças e das rugas dos velhos.
“Falta poesia ao mundo, berrou. “Não a poesia dos livros e dos românticos entediados como sua própria aflição, mas a delicadeza que se perde na pressa desse tempo”, disse.   
“as almas não se encantam apenas corpos se somam na contabilidade traiçoeira do mundo”, alertou.                
 Falou tanto e de tanto falar, fez rir os sábios, confundiu os aprendizes e entendiou quem lhe assistia pela televisão.
 Quando terminou a sala estava vazia
e através das antenas de tv
o povo o confundiu como um novo número de circo e gargalhou sem fim...
com o testemunho de um Deus como losângulos nos olhos, retângulos nas maos, lágrimas esféricas no rosto e pura poesia no coração 

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A porta


a morte é uma porta
sem vendedor de bilhetes
nem leão de chácara.
movido pela vida,
lá foi tu.
logo irei eu...

irmão das mesmas bobagens
e ouvidos para toda a hora

além desta porta
além de todos os nossos túmulos,
Deus te espera ansioso
com um relho simbólico
e um velho baralho. 

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Sapatos


a vida é um grande sapato.
cujos cadarços envolvem todo o corpo.
os missionários de Aparecida acreditam e fazem acreditar que esses cadarços sobem até as mãos de Deus,
mas se assim for como chegam as mães as cegonhas?
como decolam os aviões carregados de cartões de natal?
como ícaro ousado subiu?
como sobem os balões e as vozes das crianças?

como descem os relâmpagos e as pedras da lua?
como sobem os abutres suicidas e as bolhas de sabão de um louco numa cela?
se há no céu uma rede de barbantes e na terra amantes enlaçados com um cordão de prata?

é, a vida é um grande sapato, um só.
o outro o imperador pôs numa garrafa e jogou no mar.
ando num pé só,
ando num pé só. 

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Sultão


Se eu morresse  agora
seria como um errante,
como um sultão, dono de todo o tempo...

Se morto não pouparia o ego, nem as vaidades,
nem as melhores lembranças,
faria usura pessoal de tudo que vivi
diante do Senhor e seu juízo.

Morrer faz parte de um erro ou é todo o acerto de nossos descaminhos?
Morrer para tudo, renascer para tudo seria a saída mais honrosa
diante do lixo que acomodamos sob a cama quando ainda vivos?

Deus nos poupa dos maiores castigos
não nos deixando ver
o escuro atrás da porta
que escancaramos a cada dor que somamos aos outros,
e ao nosso próprio currículo...

No entanto,
Deus acomoda com o mesmo sorrisso,
o senhor gordo e o seu servo sem mãos
Deus acomoda também os ateus,
que amam super-homens,
que por sua vez,
e quando em carne,
adormecem chorosos no colo de suas mulheres. 

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Palhaço


Sabe mulher,
quando pousas sobre mim
ja não tropeço,
nem mais quero fugir.
meu lugar é onde estás e tua voz,
 meu conto de fadas,
me faz adormecer
sem ser eu tua criança
ou o homem do fim dos teus dias.

Se viro então teu palhaço
quando ri de minhas graças,
atenta e linda
és toda plateia que ambiciono ter,
és todo e o único aplauso que sonho em ouvir.

Depois dengosamente me chama,
enamorada e boba
me seduz para sempre
num feitiço fatal,
minha bruxa madrinha,
febre que adoro ter,
não me perca,
não me perca.

Ao fim, caminha teus dedos sobre mim
viro assim teu palco e tua luz,
purpurina que te jogo
mas que carregas sem saber que tens,
purpurina que colho de ti e que devolvo
quando te faço feliz
quando te faço feliz.

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O inverso


O inverso de nossos deuses
e um lírio que apodrecendo
perfuma os lénçois que sujamos
e nosso hálito com aroma de maçã.

o inverso de nossa história
 é a pura verdade
num velocípede que corre sem rodas
numa estrada sem sinalização, nem placas
sem repressão de mães a tiracolo.

o inverso de todo o tempo
mora no insignificado nublado das coisas
na simplicidade delas.
não há futuro,
nem sexo de borboletas
nessa absurda arquitetura de gente

o inverso de nosso universo
é uma morada
 que as cores do arco-íris não decifram
onde um velho carteiro, aposentado de tudo,
calmamente diz :
“ alguma caixa postal não recolhida”...

Tirania dos calçados


há uma década
sou avaliado e julgado por meus sapatos
é a tirania dos calçados
desde que adão vestiu sandalias
e mostrou ao vizinho
desde de que a mãe falou
que havia mais cacos de vidros
do que caminhos

há uma década
sou como um pequeno esquilo
nos meus pés não cabem mais sapatos
e a besta do inverno, que assusta e me atrai com seu canto
por Deus, é aquilo que mais amo.

Flautistas inacabados



dos meninos que passam
dos últimos que se perdem de vista
um maestro ainda desperto diria:
“lá se vão  a música e a orquestra juntas,
flautistas inacabados e filhos que não tenho”.
 do outro lado da rua, um louco há pouco solto, por outro lado, diria:
“ lá se vão os herdeiros de tudo que não deixei; os médicos que mal curam e seus pacientes de mãos dadas”. 

Como acreditam os índios

sobre minha cabeça digladiam
anjos caídos e anjos que sobem...
em mim mora um judas com complexo de culpa
e um rei de pança caída...
sobre minha cabeça penduram tantos rótulos,
tantas poses,
capazes de degolar minha verdadeira ansiedade...

como acreditam os índios
a pose para a fotografia pode aprisionar a alma...
e toda a vontade...
como acreditam
a máquina e a imagem guardada
sentenciam como se Deus fosse...

como eles, acredito
e sinto que a cada sorriso amarelo que dei,
a cada álbum de fotos de família,
a ideia de morte e a distância de meus sonhos
é mais real...
e dolorosamente presente...

como acreditam os índios
o melhor juiz nunca morou por aqui,
sem suscitou qualquer outro caminho
a não ser nunca se fotografar...

nas suas crenças o sol e a terra
são presentes de um íntimo desconhecido
e não há exagero em crer que todo o ouro e o tempo necessário nos foi confiado...

como acredito
sobre nossas cabeças
digladiam levas de todos os anjos,
onde se dá o falecimento de quem brinca e sonha
e o nascimento de quem conta o tempo
com toda a pressa do mundo,
aguardando o trem que não chega
e a fotografia que jamais poderá revelar...