Na sua alcova ela é quase prisioneira.
E só eu dou-lhe as chaves.
Liberta, ela dança ao ruído da chuva,
Suja as canelas com lama, ri, cansa e dorme
e só eu cubro seu corpo com frio.
Ao descortinar do dia,
ela corre pelas picadas que eu desconheço,
caminha estalando as folhas secas,
bebe água de poço,
mancha os lábios com musgo,
brinca com os caracóis
e na volta diz bobagens, me beija
me arranha as costas fazendo meiguices com a voz.
Puxa meus cabelos... Desavergonhada!!
Frente ao retrato de minha santa mãe,
frente a brasa do fogareiro.
Decerto ela é minha, aqui tudo é meu.
É tudo que tenho, Aqui sou senhor.

