sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Saudade de um pai

Quando um pai se vai...
Ah, como me desperta
o que quis e não fiz em tempo.
A alegria que não trouxe
pagaria, agora, para carregá-la pra ele.
Quantos anos te perdi?
Quantos abraços fingi te dar?
Quantos anos ficarei a lembrar do que poderia ter sido.
Queria eu ir com ele
sob a sombra de quem fez
o que nós mal pensamos em fazer
a cada prece de tua mão calejada
a cada prece do pão e doce que nos trazia da rua.
Quando um pai se vai
não sobram apenas uma cama, uma cadeira, um lugar.
Sobra a dolorida sensação
que ainda haviam muitas palavras e muitas mãos estendidas pra te dar.
(Para ouvir clique aqui.)

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