sábado, 14 de junho de 2025

Flor do Meu Deserto. Por mais que eu tente, mil vezes tente, você não some, nem desaparece nas horas insones de meus dias e noites sem ti. De onde eu venho, eu sei, mas tu o que carregas nessa sacola? Que agrados, sei que escondes, além de teus olhos tristes e aconchegantes que enfeitam teu rosto? Porque não segue teu rumo, mas me acorda sem compartilhar minha cama, sem as chaves da porta, sem nunca ter entrado por ela? Você que embeleza as músicas que ouço, que faz amar as segundas quando mal te vejo e odiar os sábados quando mal sei onde estas... e que entre todas as outras, por mais que eu me esforce, é sempre a primeira a surgir. Há um segredo no ar, uma doce culpa pontilhando nossa estrada. Ainda que te perca, você será sempre a lembrança adocicada e doida do que não tive, do que esperei em prece e desencantada solidão. Flor que nasce onde a terra se esvaiu, sangue e cor sob um céu outrora cinzento e pálido. Ainda que te perca te desejo toda a sorte e bênçãos desses tempos. Foi somente um sonho não vivido. A vida junta... e também separa. Não há como transpor esse muro. Porém meu deserto agora desperto revela uma flor que se nutre de teu sorriso, acenando a favor do vento, apaziguando minhas rugas e acalentando minha alma. Adeus é uma palavra muito forte, até breve talvez ..., mas quem realmente saberá?

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