Caminho... como quem quisera ter sido o que ainda é.
Minha dor é só imaginar e quase não crer
nas certezas que a criança que fui guardava como moeda rara...
Minha dor é queimar meus dias como lenha velha
e ser o único lenhador do meu jardim....
Meu cavalo não tem olhos, nem cor... e se
perde no cinza da paisagem...
Em quase tudo repito esse eco...
Minha voz entoa, assim, repetida ansiedade
que me transforma em imitação do que não sou.....
Não sei ao certo...
até onde irão meus dias e se há muito crédito além daqui....
ainda assim caminho
como olhos e mãos que não acredito serem os meus
e pés de quem procura na chuva...
aquilo que esqueceu na própria casa...
Se não sou eu ainda ...
quem te acorda como um detento....
saudoso daquilo que tem, mas morto antes da verdadeira hora,
antes de qualquer despedida...

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