domingo, 10 de outubro de 2010

O geômetra


Um geômetra,
desses matemáticos, quase arquitetos,
quase artistas, desses aparentes ateus éticos,
disse poder prever o destino da gente com sua arte...
falando como doutor,
medindo atos e as palavras
como se em tudo tivesse uma fórmula encoberta,
disse ter a melhor filosofia para levar os homens ao paraíso e apontou a poesia como caminho.
Medindo os versos como seu os poetas formassem sobre o papel círculos e losângulos secretos, falou em cura da dor confinando neruda, drummond e borges a um triângulo equilátero perfeito,
 a uma triologia arquitetônica perfeita,
capaz de decifrar o mistério do nascimento das crianças e das rugas dos velhos.
“Falta poesia ao mundo, berrou. “Não a poesia dos livros e dos românticos entediados como sua própria aflição, mas a delicadeza que se perde na pressa desse tempo”, disse.   
“as almas não se encantam apenas corpos se somam na contabilidade traiçoeira do mundo”, alertou.                
 Falou tanto e de tanto falar, fez rir os sábios, confundiu os aprendizes e entendiou quem lhe assistia pela televisão.
 Quando terminou a sala estava vazia
e através das antenas de tv
o povo o confundiu como um novo número de circo e gargalhou sem fim...
com o testemunho de um Deus como losângulos nos olhos, retângulos nas maos, lágrimas esféricas no rosto e pura poesia no coração 

(Para ouvir clique aqui.)

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