sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O inverso


O inverso de nossos deuses
e um lírio que apodrecendo
perfuma os lénçois que sujamos
e nosso hálito com aroma de maçã.

o inverso de nossa história
 é a pura verdade
num velocípede que corre sem rodas
numa estrada sem sinalização, nem placas
sem repressão de mães a tiracolo.

o inverso de todo o tempo
mora no insignificado nublado das coisas
na simplicidade delas.
não há futuro,
nem sexo de borboletas
nessa absurda arquitetura de gente

o inverso de nosso universo
é uma morada
 que as cores do arco-íris não decifram
onde um velho carteiro, aposentado de tudo,
calmamente diz :
“ alguma caixa postal não recolhida”...

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